Perguntaram-me um dia...

Perguntaram-me um dia se era feliz!
Como qualquer mortal que não tem tudo a seus pés, respondi que não! Não seria realmente feliz, ou não sabia que a felicidade se encontra em pequenas coisas, actos ou acções? Que uma simples rosa me faz feliz? Que um simples sorriso me faz feliz? Que um simples pousar os pés na relva e ficar horas a olhar para nada, e pensar em nada, e pensar em tudo me faz feliz?
E o amor? O amor faz-me feliz? Não e sim. É contraditório mas é a verdade. Faz-me feliz quando sinto o amor no meu pensamento, em tudo o que toco, em tudo o que ouço, em tudo o que me faz sorrir. Não me faz feliz quando eu “penso” que não sou feliz no amor. Será que o amor se resume a isso? A um simples “pensar” ser ou não ser?
No entanto quando penso no amor, seja qual for o amor, sei que não estou sozinha mesmo quando estou sozinha, sei que não tenho o meu espaço, o meu momento de não ter nada em que pensar. Claro que por vezes, a vida é uma loucura. E quem já não me disse “tu és louca”!!??? Pois sou. É assim que gosto de ser, é a minha maneira de estar.
Para mim a felicidade é ter os pés na areia, os ouvidos no mar, os olhos no horizonte e o pensamento onde eu quero que ele esteja.
Sozinha ou com o que me acompanhar, nesse momento sinto-me a mulher mais feliz da vida. Tal como quando vejo o teu sorriso. Um sorriso que me faz existir, um sorriso que me faz viver… apenas o teu sorriso.
Posso nĂŁo pensar em nada mas uma coisa eu penso! Penso porque existo! Existo porque penso! Existo porque sou feliz! Sou feliz quando nĂŁo sei como te desejar mas tenho a certeza que nĂŁo te quero longe do meu ser.
Longe do meu “eu”!
O meu “eu” que tem um mundo só meu, isolado, onde só entra quem eu deixo ou quem eu quero deixar entrar da mesma maneira que sai quando eu quero que saia!
Disseram-me um dia que nasci para viver sozinha! Se esse for o meu destino entĂŁo serei feliz! Serei feliz enquanto houver o mar e sĂtios onde sentir os pĂ©s na areia, na relva, ou onde me fizerem sorrir. Serei feliz enquanto houver a natureza. Um qualquer pato que me faça sorrir! Um qualquer animal que me consiga captar a atenção o tempo que ele quiser, o tempo que ele deixar. Serei feliz enquanto sentir o vento a bater-me no rosto, serei feliz enquanto ouvir a chuva! Serei feliz enquanto estiver viva.
A tua presença faz-me sentir viva, forte como um furacĂŁo, forte como o vento. Um dia pensei que me ias abandonar. Toda eu sou uma força que precisa da tua força. Preciso do teu “mau humor”, preciso ouvir de ti que tenho um feitiozinho terrĂvel. Tenho o maior orgulho quando te respondo que tenho a quem sair! Que o teu feitiozinho Ă© igualzinho ao meu, e ao que quero que tenham os meus filhos. Os nossos orgulhos.
Sei que mesmo quando partires nunca partirás! És como os poetas! Os poetas não morrem enquanto não os deixarmos morrer. E eu tenho a certeza que nunca te vou deixar morrer. Estarás sempre comigo. E nesses momentos vou arrepender-me de não me ter refugiado nos teus braços sempre que deixei de me sentir forte, sempre que deixei de me sentir eu, sempre que deixei de me sentir viva.
Mas a culpa nĂŁo Ă© minha. A culpa nĂŁo Ă© tua.
A culpa é nossa! Nossa porque ao seres o meu espelho e eu o teu, sabemos que era desastroso fazermos isso, e que não precisamos de o fazer para dizer “amo-te” mesmo sem falarmos.
E o que vai custar quando eu partir sem que tu partas? Largar as coisas de menina e crescer? E não poder sentir o teu rosto no meu antes de dormir, não antes sem refilar que não vives sem mim e és um chato e deixei de fazer qualquer coisa importante para te dar o tal beijo.
E como sabes como atingir? E como sabes o que custa um simples dormir sem esse beijo? Nem precisas de palavras, porque tu sabes como atingir.
És um ser de coragem, um ser que me fez crescer mesmo que eu lutasse contra o meu crescimento, um ser que me amou incondicionalmente mesmo quando eu me odiei.
Um ser a quem eu fiz acreditar que és especial. És especial para mim. És o meu tudo. E mesmo quando existe outro alguém que seja o meu tudo, não é o meu tudo como tu. Tu serás sempre o primeiro dos meus tudo.
Um dia perguntaram-me num teste qual era o meu maior sonho (sĂ©timo ano, teste de portuguĂŞs). Depois de minutos a pensar no que deveria inventar para que a professora gostasse do que lesse resolvi escrever a verdade. O meu maior sonho era que tu nĂŁo partisses, que tu te livrasses do que tinhas. Que tu continuasses meu. NĂŁo me lembro que palavras usei mas sei que no final, para me desculpar do meu maior sonho ser um sonho triste, referi que sabia que era um sonho triste, mas era o meu maior sonho. Como resposta, o comentário foi que por mais tristes que fossem os sonhos nunca devĂamos desistir deles. E foi o que fiz. Nunca desisti de ti, de nĂłs. Por mais que me custasse nĂŁo desistir. Lembro-me que na correcção desse teste a professora pediu a alguns dos meus colegas para lerem a sua composição. A minha ficou por ler, eu percebi porquĂŞ. NĂŁo que nĂŁo fosse algo que merecesse ser um sonho, mas por ser algo que era um sonho demasiado simples comparado com “carros”, “casas” e cenas banais. Era algo meu, que sĂł eu e ela sabĂamos. E senti o calor da mĂŁo dela quando por trás me tocou no ombro e me disse em tom carinhoso “Foi a coisa mais linda que li”. E realmente deve ter sido a coisa mais linda que escrevi.
Não sei bem como mas um dia dei com essa composição nas coisas da minha mãe. Nunca guardou nada meu, nunca se preocupou com os meus testes, nunca mexeu nas minhas coisas. Mas guardou a composição. Também ela deve ter feito dela as minhas palavras.
Isto tudo para te dizer que te amo. E que te vou amar sempre.
E sim.. sou feliz..

1 Comments:
At 6/20/2006 10:22:00 p.m.,
Anónimo said…
NĂŁo acho que o teu sonho seja triste.. mas um dos mais belos sonhos..um sonho sincero nunca pode ser triste! NĂŁo achas?
és o orgulho de quem amas!
Enviar um comentário
<< Home